Ervas Naturais

Aproximando a Natureza

Urucum

Posted by Erva e Plantas Naturais em 10 de Abril de 2011


NOME CIENTÍFICO: Bixa orellana L

FAMÍLIA BOTÂNICA: Bixaceae.

SINONÍMIA

Açafrão-da-terra, açafroa, açafroeira-da-terra, achicote, achiote, achote, bija, colorau, orucu, tintória, urucu, urucuuba, urucuzeiro,  uru-uva.

HABITAT

Espécie autóctone do Brasil tropical. É cultivada em jardins, hortas e hortos.

FITOLOGIA

Planta arbustiva perene, de porte mediano (3,0 a 4,0m), mas que pode atingir até 10m de altura nas regiões de origem, bastante ramificada, de tronco curto, com casca pardacenta e copa densa arredondada. As folhas são alternas, persistentes, longo-pecioladas, elípticas, inteiras, glabras, cordiformes-acuminadas. As flores são róseas, grandes, com corola formada por 5 pétalas, com muito estames, em panículas terminais. Fruto cápsula ovóide ou cônica com 3 a 5cm de comprimento, grande, verde ou vermelho-pálida ou roxo-escura, revestida de espinhos moles e inofensivos, contendo 30 a 40 sementes revestidas de arilo vermelho-seríceo.

CLIMA

É de clima equatorial e tropical e heliófita.

SOLO

Prefere solos ricos em matéria orgânica, férteis, úmidos e fofos.

AGROLOGIA

  • Espaçamento: 4,0 x 4,0m.
  • Propagação: sementes e estacas. As sementes são postas a germinar em saquinhos de plástico perfurados contendo substrato organo-mineral. A germinação ocorre em 10 a 20 dias. O transplante das mudas para o campo ocorre após 3 a 4 meses da semeadura (241). As estacas são enraizadas em vermiculita.
  • Micropropagação: a partir de sementes esterelizadas e germinadas in vitro, obtém-se explantes de ápices e segmentos de hipocótilos. Os melhores índices de entumescimento foram obtidos com o meio MS completo suplementado com AIA 0,3mg.L-1 e KIN 1mg.L-1 (80%). Para a formação de calos, a melhor concentração de AIA e KIN foi, respectivamente, 0,3 e 2,0mg.L-1. A melhor poliferação  de brotos (4 a 5 por explante) baseou-se nos mesmos reguladores e respectivas concentrações verificadas para calos (310).
  • Plantio: março a abril. O transplante é feito quatro meses após a semeadura.
  • Adubação: 1kg/planta de cama de aviário associada a 200g de fosfato natural. Readubar anualmente.
  • Doenças: as folhas podem ser infectadas pelo fungo Cercospora bixae.
  • Florescimento: ocorre a partir do segundo ano após o transplante, na primavera e início do verão. A frutificação ocorre no verão e outono.
  • Colheita: inicia 12 a 14 meses após o plantio.
  • Produção de sementes: 1kg de sementes contém cerca de 22.000 unidades. As sementes têm viabilidade superior a 6 meses, em armazenamento (241).

PARTES UTILIZADAS

Folhas, sementes e raiz.

FITOQUÍMICA

Carotenóides: bixina, metil-bixina, nor-bixina, trans-bixina, b-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; flavonóides: apigenina-7-bissulfato, cosmosiina, hipoaletina-8-bisulfato, luteolin-7-bissulfato e luteolin-7-0-b-D-glucosídeo e isoscutelareína; diterpenos: farnesilacetona, geranil geraniol, geranil formato, geranil octadeconoato; benzenóide: ácido gálico (179); vitamina C (128) e orelina (9). A bixina é avermelhada e insolúvel em água e a nor-bixina é solúvel.

PROPRIEDADES ETNOTERAPÊUTICAS

Expectorante e digestiva (sementes); antiinflamatória, cicatrizante (raiz), depurativa, estomáquica, laxante, cardiotônica, vulnerária (folhas), antiasmática, peitoral, estimulante, diurética, antidiarréica, antidisentérica, hemostática (179), antipirética, adstringente (335), refrigerante (a polpa), béquica, anti-hemorrágica (68), hipotensora, antibiótica (294), laxante (215), afrodisíaca (sementes trituradas) e antídoto de ácido cianídrico (93). As sementes são usadas para o tratamento da diabetes (284).

INDICAÇÕES

A infusão a frio dos renovos é usada para inflamações nos olhos. As sementes são utilizadas no tratamento de queimaduras de pele (93). A decocção das folhas é usada para o sarampo. As folhas, quando previamente machucadas, são indicadas para curar panos (infecção micótica). O pó do arilo das sementes é utilizado em gargarejos para o tratamento de amigdalites e afecções bucais. As sementes, amassadas, podem ser aplicadas topicamente em queimaduras (179).  Também indicadas para a endocardite, pericardite, afecções do estômago e obstipação intestinal (68). A tinta do urucu é um antídoto de ácido cianídrico, encontrado na mandioca-brava (9; 32). O pó é utilizado para combater sarna e piolho. As sementes são anticolesterolêmicas (244). As folhas são indicadas para bronquite e faringite (9).

FARMACOLOGIA

O extrato aquoso administrado em ratas, na dose de 400mg/kg demonstrou atividade anti-secretora gástrica. O extrato hidroalcoólico inibe a prostaglandina sintetase em concentrações de 750mg/ml (419). O extrato clorofórmico por intubação gástrica, na dose de 1g, aplicada em cachorro, demonstrou atividade hipoglicêmica significativa (284; 416). O extrato aquoso da semente, aplicado intraperitonialmente em rata, provocou redução da atividade motora e um aumento da diurese, sem sinais de toxidez. A decocção das folhas induz à contração do útero de rata (179).

ATIVIDADE BIOLÓGICA

Os extratos etanólicos do fruto e folhas mostram atividade antibacteriana in vitro sobre Staphylococcus aureus, Escherichia coli (157) e Salmonella typhi (Cáceres, apud 169).

FORMAS DE USO

  • Infusão: 10 a 15g por litro de água (32).
  • Macerado a frio: 30 a 35 sementes por litro de água fria. Deixar macerar 1 dia em vidro escuro. Tomar 1 litro por dia do macerado, durante 10 dias (244).
  • Extrato lipossolúvel: extrai-se o arilo da semente com  solventes orgânicos (acetona, metanol, etanol), evapora-se e o resíduo é misturado a um óleo vegetal.
  • Extrator alcalino: utiliza-se uma solução hidroalcoólica  amoniacal para retirar o arilo.
  • Tintura: deixar macerar por 8 dias 20g de pó da semente em 100ml de álcool 70o. Embeber em chumaço de algodão e aplicar topicamente em áreas parasitadas por sarna e piolhos.

TOXICOLOGIA 

A casca da semente demonstra efeito tóxico aos pâncreas e fígado, acompanhado de hiperglicemia e aparente aumento de insulina (Morrison, apud 120). A semente não provoca em ratas, nenhum sinal de toxicidade aparente, porém, em cachorro, se observou pancreotoxicidade, hepatotoxicidade e incremento aparente do nível de insulina (179)

OUTRAS PROPRIEDADES

  • A polpa fornece um corante e condimento natural – a bixina, também utilizada para colorizar chocolates, queijos, manteiga e outros víveres (380), cera e seda (93).
  • É utilizada para colorir carnes congeladas.
  • Misturada à substâncias amiláceas em pó, obtém-se o corante culinário mais comum em todo o mundo, o colorau,.
  • O pó resultante da trituração das sementes é repelente de insetos e colorizante do corpo (179) e de artesanato cerâmico.

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