Ervas Naturais

Aproximando a Natureza

Quebra Pedras

Posted by Erva e Plantas Naturais em 10 de Abril de 2011


NOME CIENTÍFICO: Phyllanthus niruri L. ssp. latryrroides (H. B. K.) G. L. Webster.  

FAMÍLIA BOTÂNICA: Euphorbiaceae.

SINONÍMIA

Arranca-pedras, arrebenta-pedra, conami, erva-pombo, erva-pombinha, filanto, fura-parede, quebra-panela, quebra-pedra-branco, saudade-da-mulher, saúde-da-mulher, saxífraga.

HABITAT

Espécie autóctone do continente americano. Parece desenvolver-se melhor em regiões tropicais, principalmente em planícies litorâneas, constituindo-se em invasora de hortas, pomares, viveiros, jardins e áreas ruderais.

FITOLOGIA

Planta herbácea, vivaz, com porte de 20 a 50cm de altura, ereta, com râmulos peniformes, arredondados. O caule é cilíndrico, resistente e avermelhado As folhas são simples, pequenas, pecioladas, alternas, ovaladas, com estípulas, membranáceas e glabras. Esta espécie caracteriza-se pela folha assimétrica de base achatada. As flores são diminutas, esverdeadas, localizadas nas axilas dos folíolos, monóicas, curto-pediceladas nos dois sexos, as masculinas gêmeas, de glândulas livres e orbiculadas, e as femininas, solitárias, com as glândulas co-implantadas na base. Cálice frutígero com lacínias estreitas e obovais. Coluna estaminal inteira, com 3 anteras, estilos curtíssimos, 2-lobos, revirados no ápice. Cápsulas deprimidas, muito pequenas, com 6 sementes retorcidas longitudinalmente, costadas, com diminutas estrias transversais.

CLIMA

Adapta-se a uma ampla faixa de temperatura, desde as temperadas até as tropicais. Desenvolve-se melhor à sombra, mas adapta-se às áreas ensolaradas. É esciófita.

SOLO

Prefere solos com alguma umidade, medianamente férteis e pouco ácidos. Tolera solos pobres, crescendo até mesmo em rachaduras de calçadas.

AGROLOGIA

  • Espaçamento: 0,30 x 0,2m.
  • Propagação:  sementes, que devem ser colhidas antes de sua completa maturação. Pode-se obter mudas coletadas em áreas ruderais. Semeia-se diretamente em canteiros. As mudas devem ser enraizadas e aclimatadas antes de serem tranplantadas a campo.
  • Crescimento espontâneo: verão.
  • Pragas: formigas e lagartas.
  • Colheita: ocorre 2 a 3 meses após o plantio, colhendo-se a planta inteira, ao longo do ano.
  • Padrão comercial: planta inteira isenta de insetos, areia, barro, pedras e pedaços de plantas diferentes.

PARTES UTILIZADAS

Toda a planta, menos as raízes. Colhe-se preferencialmente as ponteiras da planta, na primavera.

FITOQUÍMICA

  • Lignanos: lintetralina, nirurina, nirurinetina, filnirurina, isolintetralina, hipofilantina, kinokinina, nitrantina, nitretalina, filantina, isolariciresinoltrimetil éter, nirantina, seco-4-hidroxilintetralina, hidroxinirantina, nirfilina, nirtetralina, filtetralina, filtetrina e hidroxilignanos.
  • Flavonóides: astragalina, quercitina, quercitrina, rutina, isoquercitrina, kaempferol-4-0-a-L-ramnosídeo, nirurim, ninurinetim, fisetina-41-0-b-D-glucosídeo, eriodictiol-7-a-L-ramnosídeo.
  • Alcalóides: norsecurina, 4-metoxi-norsecurina, entnorsecurinina, nirurina, flantine, filocrisina.
  • Alcalóides pirrozilidínicos: norsecurinina, 4-metoxi-norsecurinina, nor-ent securinina.
  • Alcalóides indolizidínicos: nirunina filantina, filocrisina.
  • Triterpenos: lupeol-acetato e lupeol.
  • Terpenos: cimeno, limoneno.
  • Alcanos: triacontan-1-al, triacontan-1-ol.
  • Benzenóides: salicilato de metila, filesterina.
  • Lipídeos: ácido ricinoléico, dotriancontanóico, linoléico e linolênico.
  • Esteróides: b-sitosterol, 24-isopropil-colesterol, estradiol.
  • Outros: dibenzilbutirolactona, gelato de metila e de etila, galato de etila, glochidona, geraniina, niruside, furosina, xantoxilina, hiporilantina, geranina, filalvina, cineol, cimol, linalol, securimina, ácido repandusínico, hirtetralina, filantidina, taninos, saponinas, ácido salicílico, vitamina C, ácido elágico (5; 9; 21; 64; 79; 82; 118; 130, 178; 184; 190; 198; 210; 290; 318; 332; 359; 374; 386; 396; 397; 398; 399; 410; 420; 421; 438).

PROPRIEDADES ETNOTERAPÊUTICAS

Diurética (9; 130), sedante, adstringente, tônica, antivirótica, sudorífica, desobstruente, estomáquica, hipoglicemiante (130) anti-hipertensora, antiinfecciosa das vias urinárias (9; 64), antiblenorrágica, purgativa, fortificante do estômago (242), citostática, antisséptica, anticancerígena (130), relaxante muscular (258), antinefrítica (8), hepatoprotetora (417), anti-hidrópica (215), aperiente (145), antilítica (68). As folhas e as sementes são tônicas e febrífugas (93).

INDICAÇÕES

É usada no tratamento da diabetes, litíases renais, disenteria (311), hepatite-B (426; 384), afecções do fígado, cólicas renais, infecções pulmonares, hemorragias, úlceras, contusões, feridas, gangrenas, febre palustre, afecções urinárias, da pele, da boca e da garganta (64), albuminúria (242), icterícia (290), amenorréia (184), gota (145), hipertensão arterial (130), afecções da próstata (32), cistite (128), catarros vesicais, ácido úrico, inapetência (68). A ação analgésica e relaxante muscular dos alcalóides favorecem a eliminação de urólitos (258). O chá concentrado das folhas atua como emético (378).

FARMACOLOGIA

Antiinflamatória, analgésica (10; 369; 79), diurética (103), antiictérica, antidiabética, antitumoral (130), antiespasmódica (79), inibidora ACE, antialérgica (420), inibidora da transcriptase reversa do HIV (332), antihepatotóxica e antagonista endotelino (186). O extrato etanólico demonstra atividade antiviral contra o vírus da hepatite B (410). Verificou-se que o extrato aquoso da planta inibe a o vírus tipo-1 da imunodeficiência (HIV-1-RT) in vitro (304). O pó da planta inteira, na dose de 200mg/kg, via intragástrica revelou efeito anti-hepatotóxica em ratas e anti-hipercolesterolêmica (421). A Central de Medicamentos do Brasil (CEME) realizou testes clínicos e pré-clínicos com a planta, verificando sua ação preventiva na formação de cálculo renal, bem como litogênica (56).

ATIVIDADE BIOLÓGICA

A decocção da planta, na dose de 1mg/ml revelou efeito nematicida contra Toxocara canis (210). São reportadas ainda ação antihiperglicêmica (184), antimicrobiana contra Pastereulla pestis e Staphyllococus aureus (90).

FORMAS DE USO

  • Decocção:

Þ  ferver durante10 minutos 10g da planta picada em 1 litro de água. Tomar 2 a 3 xícaras ao dia.  Para  a  eliminação do cálculo renal,  tomar o chá a vontade durante o dia,  durante 3 semanas, no mínimo  (145).

Þ  Distúrbios renais: 30g/litro. Tomar 3 xícaras ao dia.

Þ  Câncer: 40g/litro. Tomar 3 xícaras ao dia (8).

Þ  ferver  10 a 20g  da  planta  em  1 litro  de  água.   Tomar 3 a 5 xícaras ao dia (68).

Þ  colocar  2  plantas  inteiras  em  ½  litro  de  água.   Ferver.   Tomar  várias  vezes  ao  dia,  suspendendo por  duas  semanas  o  uso  do  decocto  após  10  dias de tratamento contínuo  (relaxamento dos  ureteres).

  • Infusão:

Þ  colocar 1 xícara das de cafezinho da planta fresca picada em 1/2 litro de água. Tomar 1 xícara das de chá 6 vezes ao dia (258).

Þ  Diabetes: 75g/litro. Tomar 2 xícaras ao dia.

Þ  Diurese: 35g/litro. Tomar 3 xícaras ao dia (8).

TOXICOLOGIA  

Abortiva e purgativa em altas doses (257).

OUTRAS PROPRIEDADES

A planta é utilizada externamente como inseticida de pulgas e piolhos (154).

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